domingo, 9 de maio de 2010

\'Já fiquei um fim de semana sem dormir\', diz jovem viciado em games

'Já fiquei um fim de semana todo sem dormir'. A declaração é de Jader Soares, de 19 anos, viciado em videogames. Foi baseado em depoimentos como este que a Santa Casa da Misericórdia, no Rio, passou a encarar brincadeiras de criança como problema de saúde.

Veja locais de atendimento para jovens viciados em videogames

Ele admite que não consegue ficar nenhum dia sem jogar. “É um vício, não tenho como negar. E qualquer vício é ruim. O bom é você conseguir controlar e equilibrar”, pondera ele, que já se desvencilhou até da namorada pra ir para o computador. “Fui assistir um filme com ela às 15h, fiquei até as 16h30 e tínhamos um compromisso às 18h. Vim desesperado para casa jogar”, lembra ele.

Com Jorge, de 11 anos, os sintomas já começaram a ser físicos. “Ele chegava da escola, trocava de roupa e jogo. Todos os dias, só parava para comer e retornava. Aí comecei a perceber ele reclamando de dores na visão, dores de cabeça e associei às horas diante do jogo. Ele começou a ter problemas na escola, porque não prestava atenção na aula, não fazia dever de casa e f oi ficando um pouco agressivo. Eu via ele dizendo com raiva: ‘Eu tenho que acabar com ele’, falando o nome do personagem’”, conta Mônica, mãe do menino que, jogando, mal parou responder às perguntas da repórter.

Abstinência
“A gente percebe que tem crianças que sentem abstinência e ultrapassam dos limites. Preferem parar de curtir a adolescência para estar no videogame ou computador. Elas têm pouco relacionamento social, mais chances de ter obesidade e não sabem lidar com frustração, porque quando chega no limite, desliga o jogo”, explica o chefe do setor de neuropsiquiatria, Fábio Barbirato, da Santa Casa de Misericórdia.

Para o especialista, o papel dos pais é fundamental para evitar o isolamento e a ansiedade provocada pelo jogo. Não só para lhes dar opções de lazer fora da tela, mas para participar com esses adolescentes dessas atividades, criando um convívio familiar. “Esses jovens cada vez mais querem ficar jogando, como um viciado que quer cada vez beber mais”, afirma Barbirato.
 

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