A descoberta, há mais de uma década, de que pedacinhos de RNA podem ser usados para silenciar genes em vermes ganhou um Prêmio Nobel em 2006. Agora, pela primeira vez, o RNA de interferência, ou RNAi, se provou eficaz contra uma doença humana -um vírus respiratório comum.
A interferência de RNA consiste em inserir fitas curtas de ácido ribonucléico às células para destruir RNAs nativos que tenham uma sequência complementar de letras (bases). Como os genes usam moléculas de RNA como mensageiras para traduzir sua informação em proteínas, os RNAs de interferência efetivamente "silenciam" os genes que carregam a mesma sequência. Em animais, a RNAi mostrou grande promessa, mas o progresso da técnica em humanos tem sido lento.
John DeVicenzo estuda doenças infecciosas pediátricas na Universidade do Tennessee, em Memphis. Ele e seus colegas testaram a capacidade dos RNAs curtos de interferência (siRNA) de inibir vírus do trato respiratório, cujas células têm uma tendência excepcionalmente alta a incorporar pedaços de RNA.
No estudo, 85 adultos receberam um spray nasal contendo ou placebo (substância inócua) ou siRNAs desenhados para silenciar um dos genes do vírus respiratório sincicial (VRS), um dos que mais causam internações em bebês -mas relativamente inofensivo aos adultos.
Os voluntários deveriam usar o spray por cinco dias. No segundo dia, todos eles foram infectados com o VRS. No 11º dia, apenas 44% dos pacientes que receberam o tratamento com RNA tinham infecção, comparados com 71% dos pacientes no grupo que recebera placebo.
A RNAi pode disparar uma resposta imunológica, que pode ter tido o efeito colateral de ajudar a manter a infecção sob controle. Mas amostras de sangue mostraram que o risco de infecção não dependia do nível de anticorpos no sangue, o que sugere que o papel protetor se deu via silenciamento dos genes do vírus.
O grupo, agora, está testando a terapia em pacientes transplantados de pulmão, que usam imunossupressores que podem tornar mortais as infecções por VRS. DeVicenzo diz esperar testar a terapia em bebês em breve.
Para doenças não respiratórias como a Aids, porém, ainda é preciso elaborar maneiras de inserir o RNA de interferência nas células.
O estudo foi publicado no periódico "PNAS", da Academia Nacional de Ciências dos EUA.
Nenhum comentário:
Postar um comentário